Nossa História

CARTA ABERTA DE UMA ADVOGADA MÃE

Hoje é o aniversário dele, recordo a correria que foi muito intensa e como os sonhos eram completamente diferentes dos que tenho hoje. A gravidez do Miguel foi repleta de agitação e confusão, passamos nove meses resolvendo problemas.

Não tive tempo sequer para preparar o enxoval dele, comprei as fraldas apenas alguns dias antes de ele nascer... Até o oitavo mês de gravidez, continuei trabalhando: participando de audiências, visitando presídios, delegacias, escritórios, afinal, sempre me disseram que a gravidez não é uma doença, e a vida deve continuar no seu ritmo normal.

Até pouco tempo atrás, eu não me perdoava por não ter descansado, ou por não ter me afastado dos tantos problemas pessoais e familiares e da confusão que poderiam ter afetado minha gravidez.
Até aquele momento, nunca tinha ouvido falar sobre a epigenética, ninguém havia me informado sobre isso. Talvez eu teria feito tudo diferente, e talvez isso tivesse mudado ou não a condição do Miguel. Talvez, talvez, talvez. Isso me faz repensar o quão importante uma gravidez tranquila e saudável pode fazer com que a mãe se sinta menos culpada. Fica a dica para as futuras mães. Hoje, converso com todas as grávidas sobre a epigenética! Isso me faz sentir melhor.

Agora, voltando ao Miguel, a peça central desta história. Há três anos, ele chegou sem o autismo fazer parte do roteiro. Ele nos encheu de alegria, afinal, apesar de toda a correria, ele era muito esperado e amado. O irmão, o pai, o cachorro Thor e eu nos apaixonamos por ele desde o momento em que o vimos.

O nascimento ocorreu sem qualquer complicação. Miguel cresceu como qualquer outra criança. Miguel não nasceu autista! Sempre acompanhei os marcos do seu desenvolvimento, assim como fiz com o Gabriel, meu primeiro filho.
Miguel atingiu todos os marcos; ele me olhava nos olhos, respondia com sorrisos, balbuciava, conseguiu deitar-se de bruços firmando a cabecinha, sentou-se, engatinhou e andou, tudo dentro do tempo apropriado, de acordo com os marcos estabelecidos.

No entanto, entre os 8 e 10 meses, Miguel começou a fixar o olhar em um ponto específico. Ele parecia se perder e não respondia a nenhum chamado, ficando com um olhar vazio. Como mãe, comecei a observá-lo ainda mais atentamente. Ele não permanecia olhando o nada por mais de dois minutos, mas para mim, isso parecia uma eternidade.
Foi nesse momento que Miguel deixou de responder ao seu nome, e foi quando comecei a suspeitar do autismo. Miguel, com 1 ano, não falava nenhuma palavra, não sorria para ninguém e não demonstrava expressões. Como já havia sido mãe antes, minha intuição me dizia que aquelas características não eram normais, como alguns profissionais relatavam.

Aqui começou nossa jornada, e foi difícil acreditar em mim! Eu nunca quis que meu filho tivesse sequer um arranhão, como nenhuma mãe deseja. Foi reconfortante ouvir de profissionais de saúde que seu filho não tem nada, mas ficar sem um diagnóstico e um tratamento adequado realmente tirava meu sono.

Cheguei a pensar que poderia ser um problema auditivo, mas essa teoria caiu por terra, pois, quando queria e o interessava, ele respondia aos chamados. Fiquei sem dormir adequadamente por mais de dois meses, lendo e estudando sobre o autismo. A cada dia que passava, eu tinha mais certeza. Contratei profissionais durante o lockdown para virem à minha casa e fazerem terapias com o Miguel. Esses profissionais me ajudaram a ter certeza do diagnóstico.

Lembro-me bem do dia em que li a seguinte frase: "O autismo não tem cura", isso me abalou por alguns dias, mas acreditem, foi apenas por alguns dias! Todos os meus sonhos sempre foram tangíveis.

Daiana Mathias

Advogada e  Mãe do Miguel

A Importância da Família

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A importância da família como um apoio para uma criança autista é fundamental e não pode ser subestimada. A família desempenha um papel crucial no desenvolvimento, bem-estar e qualidade de vida de uma criança com autismo.

SE TIVER IRMÃOS,
MELHOR SERÁ

Capacite os irmãos para que eles entendam o
TEA ( Transtorno do espectro Autista) e saibam ajudá-lo da melhor forma.

A FIGURA PATERNA É ESSENCIAL

Se o pai for presente na vida da criança, e se aprofundar no conhecimento do autismo do seu filho(a), será uma figura fundamental em todo o processo de desenvolvimento dele(a).

MATERNIDADE ATÍPICA

Eu sei que muitas das vezes você se sentirá sozinha e cansada. aprenda a descansar para continuar a jornada. o caminho não será fácil, por isso o descanso é essencial.